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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Seabra 126 nas Palavras de Marcella Leite.

Mardete,
Nos últimos meses que se antecederam a sua partida você foi se calando e com o passar dos dias nós fomos percebendo que aquela pessoa tão altiva já não se colocava mais, que os seus olhos sempre tão firmes e dispostos a encontrar os nossos, já não nos encarava mais. Então, fomos começando a perceber que você com sua infinita sabedoria percebia que sua hora de estar em cena estava acabando.

Como resposta a esse seu distanciamento, também fui me distanciando. Sabia que o momento provisório de afastamento estava chegando e eu tinha duas opções: ou ficar contigo fisicamente para desfrutar da sua presença ou me distanciar um pouco para não te ver sofrer e para não constatar diariamente que você realmente estava indo. Escolhi a segunda opção. Hoje entendo que não por covardia, mas por também não conseguir te olhar nos olhos. Nossos olhares se desencontravam propositalmente, porque sabíamos que o momento que você com sua sagacidade diante da vida nos fez acreditar que nunca chegaria, estava cada dia mais próximo.
Assim, os últimos dias foram passando até que te encontrei pela última vez, aqui neste plano. Cheguei à noite naquele quarto de hospital e constatei que você estava partindo. Minhas palavras sussurradas de despedida foram: vá com Deus nossa Rainha, seu momento chegou, os palcos do céu aguardam a sua entrada em cena, é chegado o momento de ser protagonista lá em cima. Sentiremos saudades sempre, mas te amaremos ainda mais todos os dias.
Não aguentando mais a dor daquele momento fui para minha casa sabendo que a qualquer momento o telefone tocaria nos trazendo a notícia que nós não queríamos. Porém, me perguntei: Que dia é hoje? E, imediatamente respondi: dia 13 de maio de 2011. Então tive a certeza de que você não partiria ainda, que você só iria no dia seguinte. Porque você juntamente com a permissão de Deus havia escolhido o dia seguinte; então, na madrugada do dia 14, dia do Aniversário da cidade de Seabra, você se despediu da sua platéia. E eu fiquei pensando no quanto que você realmente é grande, tendo em vista que até nosso Pai Celestial permitiu que você se fosse nessa data que civicamente será sempre marcada para todos os cidadãos seabrenses. E você, como uma seabrense eternamente apaixonada por esta cidade, que tanto contribuiu para o desenvolvimento dela, que tanto amou sua gente simples e que tanto embalou suas crianças.
Portanto, nada é exemplo maior de civilidade do que isso. Fiquei mais surpresa ainda quando percebi que se tratava de um sábado. Então entendi todas as programações divinas ao escolher esse dia e ainda ao colocá-lo em um sábado, dia de feira, o que possibilitou aos moradores da zona rural participarem da sua despedida.
Diante de tantas falsas coincidências tive a certeza de que este era o seu dia de ir. De lá até aqui não consegui formular nenhum texto sobre você, mas hoje o tempo que é o senhor de todas as coisas vem transformando a dor que sentimos numa saudade menos doída e menos egoísta e vem nos ensinando a dividir com os irmãos do outro plano essa mulher tão única, tão forte e tão eterna. Amamos-te cada dia mais.
Seabra, 14 de Maio de 2014.
Marcella Leite

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